Como definir um bobo? Pois bem. Bobo é aquele indivíduo meio avoado, pouco inteligente, que adora falar muito, e do muito que fala pouco ou nada se aproveita. Encontramos bobos em todos os lugares. Eles se proliferam no trabalho, na vizinhança, em nossas famílias e também em lugares esporádicos como filas de banco, supermercados e transportes coletivos.
O bobo é aquele sujeito que emite comentários aleatórios e sem sentido sobre assuntos dos quais possui pouco ou nenhum conhecimento. Baseia suas opiniões em fontes como conversas de bar e meios de comunicação em massa como a televisão. Basta algum imbecil dizer qualquer absurdo na telinha, e o bobo terá aquilo como a mais absoluta e clara verdade.
Com gente desta categoria não se argumenta, pois sua mente limitada não lhe permite processar muita informação. Acredito que qualquer prática que exija algum esforço cerebral acaba lhe causando dor física. Pensar deve doer pacas a este pobre infeliz! E é justamente por esta razão que o bobo adora seguir um padrão de comportamento social preestabelecido. Tudo que o bobo veste, todas as músicas que o bobo escuta, tudo que o bobo assiste e tudo aquilo que o bobo pensa já foi de alguma forma anteriormente determinado e adequado à sua condição.
Os bobos possuem duas características marcantes. Primeiro, eles se acham engraçados. É muito comum gente boba tentar fazer piadinhas nos momentos mais inoportunos. Quem possui o dom do humor consegue ser engraçado até mesmo no velório da mãe, mas não é o caso dos bobos. A segunda característica marcante desta nobre casta é a sua necessidade compulsiva por atenção e aprovação pública. Bobos adoram aparecer.
Há dois tipos de bobos. O primeiro é o “bobo verdadeiro” ou “bobo comum”. Este indivíduo é geralmente alguém sem grandes pretensões e aspirações. Passa a vida fazendo suas bobagens rotineiras e costuma acreditar que seus infortúnios são causados por alguma força maior e incompreensível. Como não é capaz de compreender o mundo ao seu redor, tudo que lhe resta é abaixar a cabeça e aceitar o que lhe é empurrado. Compõem a base da população mundial.
O segundo tipo de bobo é o “bobo intelectualóide”. Ele possui uma vaga percepção de que aquilo destinado às grandes massas não lhe serve, mas no fundo é tão bobo quanto o bobo comum. A única diferença entre os dois está no grau de sofisticação de seus padrões. O bobo intelectualóide tem plena consciência, por exemplo, de que a música do bobo comum é de baixa qualidade. Mas como todo bom bobo, ele acaba seguindo cegamente a outros modelos igualmente predeterminados. Talvez isso explique a razão do sucesso de algumas “figurinhas carimbadas” da MPB, sem citar nomes, é claro...
Talvez a face mais cruel da vida de um bobo esteja no fato dele não fazer a menor idéia de sua triste condição. Aliás, se de algum modo ele percebesse, já não seria mais bobo, pois percepção e raciocínio são intimamente ligados, e como já foi dito, qualquer atividade cerebral mais complexa não faz parte da natureza deste indivíduo. Ninguém, absolutamente ninguém, está livre de pertencer a esta categoria. Todos nós podemos ser bobos. Apenas não percebemos.
Mas anime-se, pois não existe infelicidade no universo dos bobos. Por mais incrível que possa parecer, todo bobo é feliz. Como o bobo não questiona o mundo ao seu redor e não possui senso crítico, nada lhe aflige ou lhe preocupa. Ao invés de perder noites de sono com problemas sem solução, o pacato bobo está muito mais interessado em seu joguinho de futebol ou no capítulo final da novela.
Seria a ignorância a chave para a felicidade?


