quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sopa de mandioquinha

Segundo a Wikipédia, mandioquinha ou batata-baroa (Arracacia xanthorrhiza) é um tubérculo comestível muito usado na culinária brasileira. Em inglês, é chamado de arracacha, white carrot, Peruvian carrot ou Peruvian parsnip. Em francês pode ser chamada de arracacha, panéme ou pomme-de-terre céleri. Em espanhol é conhecida como apio criollo, racacha, vicarra ou zanahoria blanca. Em quechua pode se chamar rakacha, laquchu ou huiasampilla, e em ayamara é conhecida como lakachu ou lecachu. É rica em carboidratos, cálcio e fósforo.

No entanto, a maior particularidade da mandioquinha, pelo menos em minha humilde opinião, é o fato dela possuir um gosto absolutamente horrível. Tudo bem, gosto não se discute (apenas se lamenta). Muita gente adora mandioquinha, mas eu detesto, odeio, abomino! Se há comida no inferno, creio que mandioquinha faça parte do cardápio.

Não me considero chato com comida, mas há algumas coisas que não como nem por decreto. Basicamente, além da mandioquinha, não como miúdos (absolutamente nojento), arroz sem feijão, verduras amargas, legumes bizarros, frutinhas asquerosas (especialmente jaca e caqui) e cravo-da-índia. Detesto cravo! Se quiser fazer com que eu não coma canjica ou beijinho, basta colocar cravo... Urgh! Ah, eu devo ser também o único brasileiro a odiar nosso belo prato nacional: A indigesta feijoada.

Em 1999 arranjei meu primeiro estágio. Era em uma empresa localizada em Avaré, no interior de São Paulo. Avaré é a cidade onde morava uma garota que namorei durante quase sete anos. Basicamente, eu passava uma semana por mês nesta empresa. Como minha então namorada morava com sua família no mesmo município que empresa onde eu estagiava, acabava passando esta semana hospedado na casa dela.

Durante o dia, dedicava-me às minhas atividades na empresa. Saia no final da tarde, passava na casa de minha ex e a levava até o ponto de ônibus, pois ela estava no último ano de faculdade (assim como eu, ela também estudou em Bauru). Após deixá-la no ponto, eu retornava à casa dela, tomava um banho, jantava, assistia televisão, e à noite, ia até o ponto buscar a garota.

Certa vez, estava eu, quietinho e sossegado, assistindo televisão, quando minha ex-sogra veio toda simpática carregando uma cumbuquinha. Disse que a janta iria demorar para sair, e que havia feito uma sopa de mandioquinha para forrar o estômago. Olhei aquilo, disse que parecia estar muito gostosa (mentira, estava me dando nojo), mas que eu não estava com fome naquele momento (outra mentira, eu estava faminto!).

Ela começou a insistir para eu experimentar, quase com cara de choro. Fiquei calado no momento. Não tive coragem de dizer à doce mulher que eu simplesmente abominava aquela gororoba. O que eu poderia fazer naquele momento? Eu deveria recusar aquela gosma e passar a imagem de enjoado e fresco, ou deveria ser macho pacas e encarar a sopinha do capeta? Bem, acabei escolhendo a segunda opção, afinal, a gentil senhora havia feito aquela bela porcaria com muito carinho e dedicação.

Peguei a cumbuquinha e olhei para aquele caldo viscoso e amarelado. Sem brincadeira, aquilo tinha um aspecto repugnante, semelhante a um pote cheio de catarro quente. Sim, isso mesmo, Catarro quente! Foi exatamente isso realmente que passou por minha mente naquele momento, o que acabou dificultando ainda mais o meu castigo. A simpática velhinha me olhava toda sorridente, esperando que eu desse a primeira colherada.

Então, com os olhos fechados, fiz uma breve oração, e lá se foi a primeira colherada garganta adentro. Meu Deus! Que horror! Foi uma das piores experiências gastronômicas da minha vida. Era ainda pior que os bifes de fígado que minha mãe me forçava a comer, pois se eu não comesse, meu irmão mais novo também não comia. Eu, como irmão mais velho, tinha que dar o exemplo...

Prossegui com meu martírio. A cada colherada que eu dava naquela merda, mais me embrulhava o estômago. E o pior é que a minha doce ex-sogrinha ficava ali ao meu lado, toda orgulhosa, olhando o pobre infeliz aqui sofrendo em silêncio. Como ela não saia de perto, além de ter que engolir aquilo, eu tinha que fazer cara de que estava bom! Dez minutos depois, e com muito sacrifício, terminei meu flagelo. Me senti um herói, pois havia passado por uma enorme provação! E mesmo com o estômago revirado, mas cheio de confiança, acabei dizendo que estava uma delícia!

"Que ótimo que tenha gostado! Fiz com todo carinho. Quer mais?" - Disse a bondosa senhora. Naquele momento, tive vontade de chorar. O desespero era tanto, que por muito pouco não acabei cometendo um homicídio. No julgamento eu poderia alegar legítima defesa, visto que a vítima tinha a pretensão de me intoxicar até a morte com aquele veneno. Mas assassinatos são desagradáveis, chatos e dispendiosos.  Preferi apenas dizer "não, obrigado".  

O relacionamento naufragou há anos. Faz muito tempo que não tenho sequer notícias da minha ex ou de sua mãe. Mas nunca mais, eu disse nunca mais, me esquecerei daquela maldita sopa de mandioquinha...


2 comentários:

  1. eu adoro mandioquinhaa!!! e adorei seu texto tbm.=].
    obrigado por comentar meu blog e pelo elogio.
    com mais tempo lerei outros textos seus e comentarei.
    bjo

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  2. ahsuahsua

    Eita cabra macho tche...
    foi no banheiro depois ou aguentou firme?

    Nossa acho que todo mundo tem uma dessas para contar neh? só faltava ela ter feito feijoada para o jantar ahsuahsua

    Beijos ♥

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