Imagine um cara grande, um metro e noventa de altura, realmente um armário. Este cara calça um coturno tamanho quarenta e seis, possui um ford maverick com um potente motor V8, joga rugby (rugby, para quem não sabe, é um jogo de impacto, bastante viril, semelhante ao futebol americano aos olhos de um leigo), toma cerveja, escuta heavy metal, fala palavrão, coça suas partes íntimas em público, acha que novela é pura frescura e tem como animal de estimação um feroz cão da raça pitbull.
Pois bem, este sujeito descrito acima sou eu, exceto por dois detalhes. Primeiro, não coço minhas partes íntimas em público (quase nunca, eu juro!). O segundo detalhe é o animal de estimação. Eu não possuo um pitbull. Não possuo um pitbull, nem um rottweiler, e nem qualquer outro cão de raça feroz. Aliás, não possuo sequer um cão.
Apesar de ser grande feito um troglodita, calçar quarenta e seis, dirigir um monstro devorador de gasolina, jogar rugby, beber cerveja, ouvir heavy metal, falar palavrão e odiar novelas, meu gosto por animais é bastante peculiar. Na verdade, eu gosto de gatos. Aliás, não gosto de gatos, eu amo gatos! Desde que me conheço por gente, possuo verdadeira paixão por felinos. São animais fascinantes, extremamente inteligentes, carinhosos, limpos, divertidos e incrivelmente belos.
Anos atrás, um amigo meu veio desabafar comigo. A filha dele, na época com oito anos de idade, adorava jogar futebol, era pouco ou nada vaidosa, detestava bonecas e adorava brinquedos para meninos. Este meu amigo se dizia preocupado, pois achava que a filha podia estar apresentando tendências homossexuais. Isso lhe preocupava, embora afirmasse ser contra qualquer tipo de preconceito.
Para acalmá-lo, contei a ele que eu adorava gatos, e que isso nunca fez de mim menos homem. Ele arregalou os olhos e perguntou se eu estava falando sério. Disse a ele que sim, que realmente gostava de gatos. Após alguns segundos pensativo, começou a rir. Acabou admitindo que estava pensando besteira sobre os hábitos da filha, e que ela era muito jovem para assumir qualquer posição quanto à sua sexualidade.
Tive meu primeiro gato aos seis anos de idade. Infelizmente ele teve uma doença que acabou tirando-lhe a vida precocemente. Pouco tempo depois minha família mudou-se para um apartamento, e meu pai, que odiava gatos, jamais permitiu que tivéssemos um. Aos dezoito anos acabei ganhando um belíssimo filhote de uma namoradinha que tive na época. Meu pai foi relutante, mas minha mãe, que também adora gatos, acabou ameaçando-o, digo, convencendo-o a ficarmos com o bicho.
Era um gato comum, mas com dois hábitos bastante excêntricos. Ele era louco por azeitona de pizza. Exatamente, azeitona de pizza. Se lhe dessem azeitona diretamente da embalagem ou de qualquer outra fonte, ele simplesmente desprezava a guloseima. Para ele, azeitona tinha que vir da pizza. O legal é que da pizza somente a azeitona lhe interessava, e mais nada. O segundo hábito exótico era o vício por mamão. Ele adorava mamão. Muito estranho para um animal classificado nos livros de zoologia como carnívoro...
Em 1999 nos mudamos novamente, e após muitos anos vivendo em apartamento, voltamos a morar em uma casa. Meu gato veio a falecer algum tempo depois devido a problemas renais. Desde então, outros bichanos conviveram conosco. Meu pai, no entanto, sempre manteve uma certa distância dos animais, afinal, ele detestava gatos.
Eis que um belo dia, muito próximo do natal de 2003, um lindo filhote de gato siamês apareceu em nosso quintal, faminto e abandonado. Algo místico ocorreu entre meu pai e o bichano. Foi amor à primeira vista. Até hoje eles não se desgrudam. Meu pai, um homem sério, sisudo e carrancudo, torna-se novamente uma criança ao brincar com animalzinho.
Atualmente, além deste gato siamês, tenho também uma gata nascida no quintal de casa. Era a menor da ninhada, a mais fraquinha. Agora é gordinha e saudável. Hoje moro sozinho em Santo André, e raramente vejo meus gatos, que no momento vivem tranquilos em um apartamento no litoral paulista com meus pais, que os tratam como duas crianças mimadas.
O motivo de meu pai não gostar de gatos remete à sua infância. Na época ele criava preás (porquinhos-da-índia), e na visão de um gato, estes pequenos roedores são ótimos petiscos. De tanto ver seus frágeis bichinhos sendo devorados pelos hábeis felinos, meu pai acabou desenvolvendo um ódio mortal por gatos. Pois é, as coisas mudam...
Ah! A filha do meu amigo acabou tornando-se uma linda moça, e embora ainda goste de futebol, atualmente está muito mais interessada em garotos.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Os bichanos e eu
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Rsrsrs Seu gato não comia o caroço da azeitona não neh?
ResponderExcluirE eu acho que me lembro (vagamente) deste gato, especialmente das unhas dele O.o
Os atuais, sem comentário, adoro aqueles dois!
Beijos ♥
Olha eu aki... rs... as coisas mudam mesmo... eu adorava gatos até por volta dos quatro anos, até que um dia o meu fez uma viagem sem volta... sofri e resolvi não me apegar mais aos gatos de quatro patas... rs. Muito legal te ler... também tenho um espaço aki com poesias, mas vou mudar só para crônicas... faz tempo que ñ atualizo... falta tempo. Bom dia!!!
ResponderExcluir